quarta-feira, 28 de setembro de 2022
Indo
No nada
Dilacerada
Hoje me vi possuída pela raiva, revolta e mágoa de ser ignorada. Essa sensação de que não tenho valor pra alguém, que acaba me desestruturando completamente. Eu que sempre prezei por tratar bem as pessoas e acreditava que elas gostavam de estar próximas pela forma como eu as deixava bem...hoje isso cai por terra. Me convenci de que não sou eu que atraio as pessoas porque eu as trato bem, mas sim, eu que as afasto pois não tenho nada de atrativo.
Hoje me veio a revolta de não fazer diferença naquela vida. De não fazer falta, minha ausência não fazer diferença e minha presença nem ser esperada. Pensei ter visto coisas que estavam ocultas e escondidas por serem belas demais, mas noto que eu apenas imaginei algo que jamais aconteceu. Percebo como fui burra em acreditar que poderia sentir algo por mim, sendo que nem mesmo carinho tem mais.
Dediquei todos os dias desse tempo todo em pensamentos e atitudes por quem nem me deixa estar presente em seus dias. Enquanto eu estava aqui sempre me preocupando, esperando, ajudando, o retorno que eu tinha era o esquecimento.
Hoje me bateu o desespero, mas um desespero que veio acompanhado de uma revolta tão grande, por tamanha entrega em vão. E acredito que um dos piores sentimentos existentes seja a indiferença. Essa mesma indiferença que recebi em troca de todo meu carinho e dedicação a ele, e isso me dilacera.
Meu ponto
Hoje me peguei ouvindo sua música.. Tantos e tantos anos ouvindo essa trilha sonora sempre no mais alto volume e em sua companhia, e hoje preciso ouvir baixinho em fones de ouvido e você não está mais aqui.
O som do mar, das baleias, do sax, tudo trás tantas lembranças de uma infância.
Como era gostoso ouvir os sons que seus dedos reproduziam no teclado, enquanto toda a imensidão azul permanecia no aparelho em um volume tão alto que era possível vibrar as janelas.
Me lembro de quando você trouxe nosso pequeno guardião branco. Tantos e tantos filmes que ficarão para sempre na memória por momentos que você nos proporcionou como naquele dia. Tantas surpresas como sempre! Ah, só você sabia fazer aquelas surpresas! E como me deixou mal acostumada! Hoje eu anseio por grandes gestos de amor, por sua culpa! E devo culpá-lo sim, mas é uma culpa tão boa, pois jamais seria quem eu sou se não fosse por você. Jamais saberia o sabor do amor se você não tivesse colocado a ideia desse sentimento tão lindo em meus pensamentos! Se não me tivesse feito assistir filmes tão apaixonantes! Quantos filmes! Quantas músicas! Ah sim, não posso me esquecer das músicas, afinal de contas foi você que me apresentou o meu maior ídolo! Por tantas vezes eu pude sentir como se vivesse naquela época onde o amor falava mais alto, as histórias eram duradouras e reais.
Você tem feito tanta falta. Hoje em dia não mais eu tenho a quem pegar o celular e contar minhas novidades aleatórias, pois só você tinha a paciência de me ouvir e depois mandar eu ir dormir. E não importa quantas mensagens gigantescas eu mandasse, você sempre me respondia ainda que eu te acordasse no meio da madrugada só para contar um prato novo que inventei! Você tinha a delicadeza de sempre me dar atenção pois sabia como eu não consigo ficar bem quando não me respondem. E só você, somente você compreendia e me acalmava nos momentos em que eu ia reclamar disso!
E os conselhos? Eu que sempre me fazia de fortona quando ouvia, querendo fingir ser independente, mas no fundo absorvia e ficava por horas refletindo suas palavras. Esses fazem uma falta danada.. Você sempre tinha sábias palavras para aconselhar quem quer que fosse. Ainda que com um jeito as vezes rude, dava conselhos que todos que te conheciam te procuravam por tamanha sabedoria!
Você foi o meu norte por toda uma vida. Meu ponto de equilíbrio em momentos de desespero. Eu sabia que não importava quantas palavras feias fossem pronunciadas por nós, no fundo você sempre me chamava e contava alguma curiosidade fazendo tudo normalizar.
Estejas onde estiver, olhe por mim.
Raízes
Tudo vinha com a leveza de uma pena, era tão fácil de absorver. Trazia consigo uma alegria e euforia de viver. Sempre vinha acompanhado de um caloroso abraço imaginário em que eu sentia como se fosse um daqueles abraços que nos toma por inteiro, apertando cada pedacinho do tronco e nos deixando na expectativa de que não tenha fim.
E aos poucos foi criando raízes dentro do meu peito. Veio vento, veio chuva, veio sol e veio fogo, mas nada destruiu essas raízes por tamanha ser a força com que crescem aqui dentro.
Há muito não via algo brotar nesse solo, tanto que me fez achar que ele estava infértil. Mas certo dia em meio a uma tormenta passando, pude notar um pequeno gravetinho retorcido saindo da terra, mas não dei bola. Dia seguinte notei que ele ainda estava ali, mas segui meu caminho. No outro dia eu pude notar que junto dele havia outro, e ambos brotavam do mesmo lugar. Fui embora. Mas no dia seguinte voltei e pude ver que surgiam alguns pequenos brotos daquela raiz. Como será possível? Essa terra está tão sem vida quanto um cadáver.. ainda pode gerar vida? Pode brotar algo??
Passaram-se dias e eu notando cada vez mais aquela área ficando tão bela e florida, decidi então adubar. Peguei minhas ferramentas e decidi que iria proteger aquilo com unhas e dentes pois era algo lindo e estava trazendo tanta vida como há muito não via. Não era só mais um pedacinho de algo, era uma grande mudança que havia acontecido. Querendo ou não, de uma forma ou de outra, tudo havia mudado. Não há mais como voltar atrás.
..
Hoje o desejo de enviar algo foi grande demais e não consegui conter, me rendi às teclas, letras e palavras em mais uma tentativa frustrada de recriar a conexão.
Estou eu aqui então mais uma vez perdida em pensamentos que me fazem reviravoltas mirabolantes. Tento me reconectar com quem eu era há meses atrás, antes disso tudo, mas é muito difícil. Aquela eu já não existe mais dentro de quem eu sou hoje em dia. Ela já não cabe mais aqui. Quem eu era já deixou de ser por tantos motivos, desde os mais sórdidos aos mais superficiais e bobos. E é impossível enumerar quantos foram.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
As palavras tem um poder absurdamente grande. Elas conseguem facilmente te fazer flutuar como também conseguem com a maior facilidade te jogar em um baú, trancá-lo e jogar dentro de um poço. E nesse momento eu estou tentando encontrar as palavras que me façam pelo menos conseguir me manter sentada ao chão. Não devo me prender à migalhas, fragmentos de um carinho, mas é apenas o que eu venho tendo.
Gostava das frases regadas de conhecimento, com gestos de carinho e empolgação. Me empolgava com as histórias desde as mais aleatórias até as mais surpreendentes. Ansiava diariamente pelo contato que eu já estava tão habituada a ter. Foi fácil demais acostumar com algo que me fazia tão bem.
Hoje em dia eu sinto que se eu não prosseguir na insistência, tudo vai pelos ares ou até pior, pelo ralo. Acabo me contentando com míseras mensagens de retorno por teimosia da minha parte em continuar tentando. Percebo todas as atitudes que tomei em vão.
Falta de lucidez
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
Tormenta
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A cada dia que passa eu noto mais e mais sinais do que ela vinha fazendo e me culpo por não ter notado antes. Como eu não vi que chegaria a...
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Foi tão gostoso ter sido tratada daquela forma novamente, que aqueceu meu coração. Eu que há semanas andava com ele tão machucado, fiquei t...
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Vejo isso tudo acontecendo de novo e de novo e de novo e de novo. Eu estou tão cansada de fazerem o mesmo tantas e tantas vezes. Eu estou ...