Tudo vinha com a leveza de uma pena, era tão fácil de absorver. Trazia consigo uma alegria e euforia de viver. Sempre vinha acompanhado de um caloroso abraço imaginário em que eu sentia como se fosse um daqueles abraços que nos toma por inteiro, apertando cada pedacinho do tronco e nos deixando na expectativa de que não tenha fim.
E aos poucos foi criando raízes dentro do meu peito. Veio vento, veio chuva, veio sol e veio fogo, mas nada destruiu essas raízes por tamanha ser a força com que crescem aqui dentro.
Há muito não via algo brotar nesse solo, tanto que me fez achar que ele estava infértil. Mas certo dia em meio a uma tormenta passando, pude notar um pequeno gravetinho retorcido saindo da terra, mas não dei bola. Dia seguinte notei que ele ainda estava ali, mas segui meu caminho. No outro dia eu pude notar que junto dele havia outro, e ambos brotavam do mesmo lugar. Fui embora. Mas no dia seguinte voltei e pude ver que surgiam alguns pequenos brotos daquela raiz. Como será possível? Essa terra está tão sem vida quanto um cadáver.. ainda pode gerar vida? Pode brotar algo??
Passaram-se dias e eu notando cada vez mais aquela área ficando tão bela e florida, decidi então adubar. Peguei minhas ferramentas e decidi que iria proteger aquilo com unhas e dentes pois era algo lindo e estava trazendo tanta vida como há muito não via. Não era só mais um pedacinho de algo, era uma grande mudança que havia acontecido. Querendo ou não, de uma forma ou de outra, tudo havia mudado. Não há mais como voltar atrás.
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